O Instituto Arvoredo, com sua missão de preservar os recursos naturais e promover um desenvolvimento sustentável, avalia criticamente o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da UTE Brasília. Embora o documento apresente uma análise detalhada dos impactos e proponha medidas de mitigação, entendemos que a implantação da usina não é uma solução ambientalmente responsável para o Distrito Federal (DF).
A seguir, destacamos os principais pontos críticos do relatório e nossa posição contrária à implantação do projeto.
1. Impactos sobre os Recursos Hídricos – Um Risco Inaceitável
A água é um dos bens mais valiosos do Cerrado, sendo este bioma considerado a “caixa d’água do Brasil”. O relatório aponta que a usina captará água do Rio Melchior para suas operações, um rio que já sofre com poluição e degradação. Apesar das promessas de tratamento e monitoramento da qualidade da água, o impacto cumulativo pode agravar a crise hídrica da região, especialmente durante períodos de seca.
O Instituto Arvoredo defende que qualquer projeto de grande consumo hídrico no DF deve ser rejeitado, pois a preservação da água é fundamental para a segurança hídrica da população.
2. Emissões de Gases e Qualidade do Ar
Mesmo sendo movida a gás natural, considerado um combustível fóssil “menos poluente” que carvão ou óleo diesel, a termelétrica ainda emitirá CO e outros poluentes atmosféricos, como óxidos de nitrogênio (NO₂), que contribuem para a poluição do ar e mudanças climáticas.
O relatório indica que haverá monitoramento, mas isso não elimina o impacto ambiental e social da poluição, principalmente em uma região urbana densamente povoada como Samambaia. Além disso, a combustão de gás natural libera metano durante a extração e transporte, um gás com impacto climático 80 vezes mais forte que o CO₂.
O Instituto Arvoredo considera inaceitável a implantação de um empreendimento que intensifique as emissões de gases poluentes e agrave os efeitos climáticos globais.
3. Desmatamento e Impactos sobre a Fauna e Flora
O relatório admite que mais de 60% da vegetação na área da usina já foi alterada por atividades humanas, mas isso não justifica novos desmatamentos. A perda de cobertura vegetal afetará espécies nativas, incluindo animais ameaçados como a raposinha-do-campo, além de modificar rotas de migração de aves e outras espécies.
Mesmo com as promessas de replantio e resgate da fauna, o impacto da fragmentação do habitat e do ruído contínuo da usina pode levar à perda de biodiversidade irreversível.
O Instituto Arvoredo defende que o Cerrado já foi devastado o suficiente e que devemos priorizar ações de recuperação, não novos desmatamentos.
4. Impactos na Comunidade e Qualidade de Vida
A realocação de uma escola próxima à área da usina já evidencia que o impacto sobre a população não será pequeno. Além disso, o relatório menciona aumento no fluxo de trabalhadores e demanda por serviços públicos, o que pode sobrecarregar áreas como saúde e saneamento.
Mesmo gerando empregos temporários, o custo social do projeto pode ser alto, especialmente se considerarmos impactos cumulativos como poluição sonora, riscos ocupacionais e possível valorização desordenada do solo.
O Instituto Arvoredo defende que políticas de geração de empregos devem estar associadas a soluções sustentáveis, não à degradação ambiental e social.
5. Há Alternativas Mais Inteligentes e Sustentáveis
O DF não precisa de uma termelétrica para garantir segurança energética. Com altos níveis de insolação durante todo o ano, a região pode investir fortemente em energia solar fotovoltaica, armazenamento de energia e eficiência energética.
Outros países estão desativando usinas térmicas para reduzir emissões, enquanto o Brasil, com seu enorme potencial para energias limpas, não precisa seguir um modelo ultrapassado e poluente.
O Instituto Arvoredo defende que o futuro da energia passa por fontes renováveis e descentralizadas, e não por investimentos em combustíveis fósseis.
Concluindo o abordado, o Instituto Arvoredo se posiciona contra a UTE Brasília
Diante da análise do Relatório de Impacto Ambiental, o Arvoredo não considera a implantação da Usina Termelétrica Brasília uma solução aceitável para o Distrito Federal. Os impactos ambientais e sociais superam quaisquer benefícios econômicos ou energéticos alegados pela empresa responsável.
O caminho para a segurança energética do DF deve passar pelo desenvolvimento de fontes renováveis e sustentáveis, que respeitem os recursos hídricos, o meio ambiente e a qualidade de vida da população.
Nossa recomendação é que o governo e os investidores direcionem esforços para projetos de energia limpa e sustentável, garantindo um futuro mais equilibrado e alinhado com os desafios climáticos e ambientais do século XXI.
🔗 Relatório de Impacto Ambiental